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O que é um posto de enchimento, como funciona e porque este termo será cada vez mais comum

Jan 20

7 min read
gasinera

Se o tema da mobilidade sustentável lhe interessa, ou se procurou locais onde abastecer gás natural para um veículo, é provável que já tenha encontrado uma palavra que ainda soa pouco familiar: posto de enchimento (“gasinera” na sua versão espanhola). Não se trata de um erro ortográfico de “posto de abastecimento”, nem de uma expressão criada para fins de marketing. É um termo que descreve um tipo específico de estação de serviço que está a ganhar relevância em Espanha e na Europa.

Neste artigo ficará a compreender, de forma clara e acessível, o que é um posto de enchimento, que combustíveis disponibiliza, como funciona, em que se distingue de um posto de abastecimento de combustíveis tradicional e qual o seu papel na transição para uma mobilidade mais limpa.

O que é exatamente um posto de enchimento

Um posto de enchimento é uma estação de serviço concebida para fornecer gás natural veicular, ou seja, gás natural utilizado como combustível para veículos. Na maioria dos casos trata-se de gás natural comprimido, GNC, e noutros de gás natural liquefeito, GNL, sobretudo no transporte pesado.

Ao contrário de um posto de abastecimento de combustíveis convencional, onde o combustível principal é a gasolina ou o gasóleo, num posto de enchimento o elemento central é o gás natural. O termo tornou-se comum para designar esta rede de pontos de abastecimento, especialmente quando se fala de GNC para automóveis, furgonetas e parte do transporte profissional.

Importa salientar que posto de enchimento não corresponde a uma categoria legal distinta. Do ponto de vista regulamentar continua a ser uma estação de serviço ou instalação de abastecimento de combustível. A diferença reside no tipo de energia fornecida e na tecnologia necessária para o seu armazenamento e distribuição.

GNC, GNL e outros gases, que combustíveis se fornecem num posto de enchimento

O termo posto de enchimento refere-se quase sempre ao gás natural veicular, GNV, que pode assumir duas formas principais, GNC e GNL.

O GNC, gás natural comprimido, é gás natural armazenado a alta pressão, normalmente entre 200 e 250 bar. Mantém se à temperatura ambiente, mas num estado muito comprimido que permite acumular energia suficiente nos depósitos do veículo. É a opção mais comum para automóveis, furgonetas, frotas urbanas, autocarros e camiões de curta ou média distância.

O GNL, gás natural liquefeito, é o mesmo gás, mas arrefecido até cerca de menos 160 graus Celsius para passar ao estado líquido. Ocupa muito menos volume do que no estado gasoso, o que se traduz em maior autonomia por depósito. Por esse motivo é utilizado sobretudo no transporte pesado de longa distância, onde percorrer muitos quilómetros entre abastecimentos é essencial.

Em alguns contextos o termo posto de enchimento também abrange instalações que fornecem gases renováveis como o biometano, quimicamente muito semelhante ao gás natural, mas produzido a partir de resíduos orgânicos. Este combustível renovável pode ser injetado na rede e chegar aos postos de enchimento, reduzindo ainda mais a pegada de carbono do transporte.

Como funciona um posto de enchimento na prática

Para o utilizador, abastecer num posto de enchimento não difere muito de abastecer num posto de abastecimento de combustíveis tradicional. O veículo é posicionado junto ao surtidor adequado, a mangueira é acoplada e o abastecimento inicia-se seguindo normas básicas de segurança.

Por detrás desta operação simples existe uma infraestrutura específica. Num posto de enchimento de GNC existe normalmente uma ligação à rede de gás natural, compressores que elevam a pressão do gás até aos valores de serviço, sistemas de armazenamento intermédio em rampas de garrafas e surtidores concebidos para se acoplarem de forma estanque à tomada do veículo.

No caso do GNL, a instalação inclui um tanque criogénico que mantém o gás em estado líquido a temperaturas muito baixas, tubagens isoladas e dispensadores preparados para manusear o produto em segurança. O abastecimento segue protocolos que evitam fugas e permitem controlar a quantidade fornecida, tal como acontece com o gasóleo ou a gasolina.

Em todas as situações aplicam-se medidas de segurança rigorosas, deteção de fugas, ventilação adequada, limitação de fontes de ignição, sinalização específica e inspeções periódicas de equipamentos e depósitos de acordo com a legislação em vigor. Embora possa surpreender, o gás natural possui propriedades físico-químicas que o tornam particularmente seguro quando manuseado corretamente, já que é mais leve do que o ar e tende a dispersar-se para cima. 

Em que se distingue um posto de enchimento de um posto de abastecimento de combustíveis convencional

A diferença mais evidente está no combustível fornecido, gás natural em vez de gasolina ou gasóleo. No entanto existem outros aspetos relevantes.

Um posto de abastecimento de combustíveis tradicional é concebido prioritariamente para combustíveis líquidos. Os tanques são enterrados e a distribuição faz-se através de bombas que enviam o combustível para os surtidores. Num posto de enchimento de GNC o armazenamento pode ser assegurado pela própria rede de gás e o elemento central da instalação são os compressores. Num posto de enchimento de GNL, o componente essencial é o tanque criogénico com o respetivo sistema de frio e isolamento.

Outra diferença importante está na extensão da rede disponível. Enquanto os postos de abastecimento de combustíveis existem praticamente em todos os municípios, os postos de enchimento ainda constituem uma rede em crescimento. Em Espanha, por exemplo, os dados mais recentes apontam para cerca de 256 estações de enchimento de gás natural, GNC e GNL, com várias dezenas em desenvolvimento e uma cobertura especialmente concentrada nos grandes corredores logísticos e áreas metropolitanas.

O perfil de utilizador também pode ser distinto. Num posto de abastecimento de combustíveis convencional predominam os veículos ligeiros particulares, enquanto em muitos postos de enchimento uma parte significativa da procura provém de frotas profissionais, camiões, autocarros urbanos ou veículos de serviços municipais.

Vantagens de abastecer num posto de enchimento

O interesse crescente pelos postos de enchimento não é casual. Resulta de várias vantagens que o gás natural veicular oferece face aos combustíveis tradicionais.

Do ponto de vista ambiental, o gás natural permite reduzir de forma significativa as emissões de óxidos de azoto, NOx, e de partículas quando comparado com o gasóleo, o que se traduz numa melhoria direta da qualidade do ar urbano. Além disso, as emissões de CO₂ por quilómetro tendem a ser inferiores e, quando se utiliza biometano, a redução da pegada de carbono pode ser muito expressiva, em alguns casos quase próxima da neutralidade, dependendo da origem do biogás.

No plano económico, o custo por quilómetro percorrido com GNC ou GNL costuma ser competitivo face à gasolina ou ao gasóleo, sobretudo em frotas que percorrem muitos quilómetros por ano. Este diferencial resulta tanto do preço do gás como da eficiência dos motores concebidos ou adaptados para gás natural veicular.

Existem também vantagens operacionais. Muitos motores a gás produzem menos ruído do que os seus equivalentes a gasóleo, algo particularmente valorizado em ambientes urbanos e em operações noturnas. O abastecimento é relativamente rápido e, no caso do GNL, as autonomias alcançáveis permitem planear rotas de longa distância com poucas paragens.

Tudo isto explica porque um número crescente de operadores de transporte, empresas de distribuição e serviços municipais integra veículos a gás nas suas frotas e utiliza regularmente a rede de postos de enchimento.

Quem utiliza atualmente os postos de enchimento

Os postos de enchimento são concebidos para servir vários tipos de utilizadores. No segmento profissional destacam-se as empresas de transporte de mercadorias, que recorrem tanto a GNC como a GNL consoante o tipo de rotas, bem como empresas de logística que procuram reduzir custos operacionais e emissões sem abdicar de autonomias elevadas.

Os municípios e os operadores de serviços públicos também têm um papel relevante. Muitos autocarros urbanos, camiões de recolha de resíduos ou veículos de limpeza viária funcionam com gás natural comprimido, o que reduz o ruído e as emissões nas cidades. Parte destas frotas abastece em postos de enchimento públicos e outra parte em instalações privadas de uso interno, mas o princípio de funcionamento é idêntico.

Em paralelo, existe um nicho de utilizadores particulares e pequenas empresas que optam por veículos bifuel, gasolina e GNC, ou adaptados a GNV, sobretudo em zonas onde existem postos de enchimento próximos. Embora continue a ser um segmento minoritário face aos motores tradicionais ou híbridos, a expansão da rede e a procura de alternativas mais económicas estão a impulsionar gradualmente este mercado.

Situação e futuro dos postos de enchimento em Espanha

A rede de postos de enchimento em Espanha encontra-se numa fase de consolidação e crescimento seletivo. O número de estações de GNC e GNL aumentou nos últimos anos, com presença nos principais corredores de transporte e nas grandes áreas metropolitanas. Em simultâneo, continuam a ser anunciados novos projetos para cobrir zonas estratégicas e melhorar a capilaridade da rede.

Este desenvolvimento está intimamente ligado aos objetivos de descarbonização do transporte e às políticas de qualidade do ar. O gás natural veicular é visto como uma solução de transição que permite reduzir emissões de forma imediata em segmentos onde a eletrificação total ainda apresenta desafios técnicos ou económicos, como o transporte pesado de longa distância.

O papel do biometano será determinante nos próximos anos. À medida que aumentarem a produção e a injeção deste gás renovável na rede, os postos de enchimento poderão fornecer misturas com uma proporção crescente de origem renovável, reduzindo ainda mais a pegada de carbono por quilómetro percorrido. Na prática, o utilizador continuará a abastecer no posto de enchimento da mesma forma que hoje, mas a energia terá um contributo renovável cada vez maior.

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